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É, vou lá comer… Porque comer é bom e traz aconchego. Certamente o meu natural não é comer só para alimentar o corpo. Talvez se só tivesse a opção de nabo em casa fosse. Mas já criamos muitos vínculos com a comida para ir contra a isso. Comemos para alimentar a alma, o convívio social, as tradições e celebrar. E isso parece ser um crime contra as diretrizes dietéticas. Ok, equilibrar isso e uma vida saudável é um exercício constante de auto controle. Mas auto controle é a chave da liberdade! E saúde não é só comida.

Bom, por essa recriminação da comida x ou y que eu hoje já troquei de blog umas 4 vezes. Blogs são muito complicados. Você começa a ter leitores de acordo com a sua fase da vida, mas aí essa fase passa (e no meu caso já passaram muitas), os leitores ficam revoltados e você se dá conta de que o blog não é mais seu, que seu trabalho está se desviando para o caminho do “agradar o próximo”. Na verdade eu fico realmente muito feliz em agradar o próximo, servir me traz muita alegria. Mas eu sou livre para mudar de dieta, de blog, de filosofia, de país, de partido político e do que mais eu resolver chutar o balde. Cara, eu não tenho certeza de nada nessa vida! A gente sabe que 10 + 10 é 20, mas aí você aprende outra base que não seja a decimal e vê que esse mesmo 20 pode ser representado por 14 (na base 16, por exemplo). Então 10 + 10 = 14? “Isso tá errado! Que absurdo!”- gritaria os defensores do 20.

Então, eu fui vegetariana e deixei de ser. Retrocesso para alguns. Alívio para outros. Depois de dez anos vegetariana, hoje eu gosto mais de grão-de-bico do que de churrasco. Bom, mas sabe quantas daquelas pessoas que me criticaram nas redes sociais por ter voltado a comer carne me perguntaram o motivo  antes de julgarem a vida alheia? Nenhuma! Eu fiquei bem desmotivada e talvez – por imaturidade minha da época – isso tenha me dado mais força para voltar a comer coisas que eu nem gostava (será que para me diferenciar daquela gente crítica? – Freud explica). Eu comecei a me decepcionar muito com o ativismo vegano, aquele que não tolera um ovo na dieta de quem está começando a entender o impacto do consumo de carnes. E ainda tem aqueles que entendem mas que simplesmente não querem mudar. É muito difícil respeitar o pensamento das pessoas quando o julgamos sendo um crime.

Muitos vegetarianos esperam que pessoas que comem carne abram mão dos seus “prazeres” para beneficiar o mundo (como se a escolha de comer carne fosse apenas por prazeres gastronômicos). Mas o ponto chave da discussão é outro. Enquanto uns dizem que não precisamos (e por isso não devemos) comer carne, outros dizem que comer carne é natural da nossa espécie e que não devemos mudar isso. E se ouvir de coração aberto, todos tem argumentos válidos (e outros argumentos nem tanto). No final das contas acho que os porquinhos são os mais altruístas nessa história quando são sacrificados para servirem de alimento enquanto a gente fica disputando quem está com a razão.

Então eu fui vegetariana por muitos anos. Também comi bacon depois disso e voltei ao vegetarianismo mil vezes. Já aderi a low carb, já aderia ao veganismo. Já descobri intolerâncias, tomei probióticos e fiquei muito confusa.

Mas mesmo sem comer carne nos últimos dias eu não quero voltar a aderir a movimento nenhum. Até porque fatalmente comerei carne novamente em algum momento porque não canalizo mais minhas forças nesse objetivo e não quero olhares críticos sobre mim quando isso acontecer. Mas não acho errado levantar essa bandeira. Afinal, o confronto de idéias é muito importante para o nosso crescimento. Só ainda não conhecia as 4 patas desse elefante e também gosto de ler o menu inteiro de um restaurante mesmo escolhendo sempre a mesma opção.

E é por isso que comecei a escrever o Rivellos’ kitchen, um blog pessoal com receitas e não mais um blog de receitas pessoal. Dessa vez é um espaço que quero manter com a clareza de que é escrito por uma pessoa de verdade (porque as vezes blog soa como um tipo de corporação) e compartilhar histórias e receitas dessa maneira tão gostosa que é tagarelando em torno da comida. E essa pessoa aqui está hoje com desejo de sopa de abóbora com pão! Comida que conforta no meio desse assunto todo…

Então vamos lá. Essa sopa é uma receita antiga que já até foi postada no meu primeiro blog. Mas já refiz inúmeras vezes com algumas mudanças.

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E de uma outra vez:
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Sopa de abóbora

By May 12, 2016

Ingredients

Instructions

Higieniza as cenouras e a abóbora. Retire a casca da abóbora e corte em pedaços grandes. Corte a cenoura também.

Cubra com água, tempere com sal e cozinhe até que a cenoura esteja macia.

Bata no liquidificador até virar um creme ou use um mixer na panela mesmo.

Refogue a cebola e o alho picadinhos (a gosto) em um fio de azeite. Misture com o creme e volte a cozinhar em fogo baixo.

Tempere com a noz moscada, a canela e a pimenta.

Acerte o volume de água (se estiver com muita água deixe reduzir, ou adicione mais se preferir).

Por último acerte o sal.

Misture o leite de coco a gosto na panela ou por cima quando for servir.